5ª paragem, Mostar, Bósnia Herzegovina. Foi relativamente fácil dar com a estrada em direcção a Mostar e que bela estrada para uma condução relaxada. Em cerca de 3/4 do caminho, este é ladeado por um rio, primeiro do lado direito e, após passagem por um túnel, do lado esquerdo. Optei por parar para almoçar no 1º restaurante depois de passar o túnel (a passagem pelo túnel foi um pouco problemática porque estavam a decorrer obras, sem coordenação de trânsito, pelo que foi caótico e moroso). Da mesma forma 3 autocarros de túristas também tiveram a mesma ideia. A ideia de um almoço descansado não passou disso mesmo, uma ideia. optei pelo peixe do rio. Não estava fenomenal, não estava mau. O que me incomodou é que há certas alturas em que as pessoas deixam de ter a noção dos comportamentos sociais. Eu, viajante individual, estava sentado, a comer a minha refeição, numa mesa para quatro. Foi a mesa que me indicaram. De certo modo, por vezes, nesta viagem, senti que um viajante individual é algo pouco usual para estes lados (pode ser impressão minha). Continuando, então 3 pessoas, de um dos autocarros, que não falavam inglês, mas entende-se que querem sentar-se na mesma mesa. Eu faço uma cara de wtf... tipo não, quero comer a minha refeição descansado (tenho esse direito, penso eu), mas qual quê... começam a tirar as mochilas, a colocar casacos nas cadeiras e eu tipo... com cara de parvo a olhar... Felizmente, lá para trás havia uma mesa livre, pelo que lá foram eles. Sem dizer nada. absolutamente nada. Situação caricata (ok se calhar aqui o meu lado esquizitóide falou mais alto).
Almoço arrumado e lá segui para Mostar, cerca de 30 minutos depois lá cheguei. Aqui o GPS não se portou da melhor forma pelo que fui seguindo com o meu instinto e acabou por correr 5 estrelas. Parque de estacionamento mesmo ao lado da pensão, a cerca de 600 metros da "Old Bridge". Epá... não se pode pedir melhor. arrumadas as coisas fui logo dar uma volta, o tempo ameaçava chuva, mas nada melhor que uma bela chuvada de verão (o que acabou por não suceder). Ao chegar à ponte, ao ver a ponte, tive a sensação de que finalmente cumpri o objectivo desta viagem. Não sei porquê, foi o último local que escolhi visitar, mas parece que toda a viagem rodou à volta deste momento. Não consigo explicar esta sensação. Pelo que bota lá uma caneca de cerveja para comemorar. O caminho até à ponte é ladeado por restaurantes e lojas típicas. Conseguimos facilmente retroceder no tempo e imaginar como seria na época mediaval. Os tecidos, as louças, o trabalho em cobre, sei lá... mais uma vez uma convergência de culturas. Na 1ª noite decidi jantar num pequeno restaurante perto da pensão, que tinha uma terraça no 1º piso com uma bela vista sobre o rio. optei por uma sopa de cogumelos e voltei a optar por Cevape. E que maravilha. Desta vez posso dizer que foi um belo jantar. Na pensão havia um bar a bombar pelo que decidi beber uma cerveja e um cocktail, uma pina colada. Há carradas de anos que não bebia uma pina colada. O empregado pergunta-me de onde sou e quando respondo Portugal o que diz o moço? Ronaldo... típico eheh.
No 2º dia fui visitar o museu da Old Bridge. A 1ª parte conta-nos a história de Mostar, desde o Império Otomano (espero não estar a errar por muito) até aos dias de hoje. Na 2ª parte o assunto centra-se na reconstrução da ponte após a guerra. A forma como a construção é feita tendo em conta a original é fantástica. Após a visita ao museu fui dar umma volta pela cidade. Saindo um pouco da rua principal, sente-se ainda a presença da guerra. Edíficios com buracos de balas, cemitérios onde todas as datas de morte circundam os anos de 1994 e 1995. Intenso. Volta para aqui, volta para acolá, e almoço. Optei por uma costela de veado mas, cá entre nós, mais parecia porco. Se bem que, sendo um restaurante que não vendia álcool, não me pareça muito viável venderem gato por lebre, neste caso porco por veado, mas pronto, benefício da dúvida. O tempo ameaçava, mais uma vez, uma chuvada, pelo que me dirigi a passos largos para a pensão. Não me livrei de uma pequena molha. E foi uma chuvada daquelas,.. com trovões daqueles. A luz foi abaixo e em pouco tempo parecia que o dilúvio de Noé se iria tornar realidade. Optei por ficar no quarto a bater uma soneca. Quando acordei era praticamente hora de jantar, pelo que lá fui à procura de um restaurante. A decisão foi tomada tendo em conta a vista. E que vista para a ponte, com o pôr do sol atrás de mim. Divinal. Desta vez optei por um Filet Mignon. Eu sei, loucura, mas pelo preço tinha de experimentar. Divinal, não. Mas não estava mau. Para finalizar a noite optei por um Café/Bar com o nome Marshal. Penso que estava associado à marca de amplificadores, e era o único sítio com música interessante. Mas o vinho era péssimo. Mesmo. Não recomendo. O vinho diga-se. E assim acaba a noite. Mostar fica no coração

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