sexta-feira, maio 11, 2018


4ª paragem, Sarajevo, Bósnia Herzegóvina. Admito que ao passar a fronteira fiquei um pouco apreensivo. Paisagens estranhas, condução alucinada, lixo à beira da estrada, montes de placas "em memória de..." e flores à beira da estrada assinalando a morte de alguém por acidente. Mas pensei um pouco e relaxei. Em Portugal, no interior, longe das metrópoles, também se nota um certo abandono, um certo envelhecimento das infra-estruturas. Portanto, lá fui seguindo caminho apreciando as paisagens. Lagos enormes, desfiladeiros altíssimos, e o carro cá em baixo na estrada que ladeava o rio, tuneis dignos de um qualquer filme de terror. Não o digo com desdém mas sim com um certo fascínio. 
Ao chegar a Sarajevo foi relativamente fácil dar com a Guesthouse, com estacionamento à porta (em todos os locais em que fiquei o estacionamento era um dos filtros de pesquisa) e apenas a 600 metros da Bascarsija (old town). Deixei as coisas no quarto, bebi um café bósnio, oferecido  pela recepcionista (apercebi-me depois que não é só querer, tem de se saber como beber um café bósnio) e bota mundo. Bascarsija é um mundo de gente e cultura. Restaurantes, lojas de tudo e mais alguma coisa, grande tradição muçulmana tanto nas pessoas, lojas e arquitéctura. Tanto que num café pedi uma cerveja e disseram-me que não vendiam álcool. No fundo a mistura de culturas é tanta que... por vezes não sabemos até lermos o menu. Há sempre cerveja sem álcool. Andei, andei, mesquita muçulmana, mesquita ortodoxa, igreja cristã... tudo num pequeno espaço, sem ver um choque de culturas mas sim, como diz o lema da cidade, um "meeting point of cultures". Nesta 1ª noite optei por jantar numa espécie de jardim dentro da própria loucura de lojas, calmo, sem grandes multidões. Optei por Cevape, um prato tradicional composto por salsichas, pão e cebola. Estava bom, mas não foi o melhor que comi, esse foi em Mostar. Como já era relativamente tarde optei em voltar para a Guesthouse, amanhã é um novo dia.
Depois de um pequeno-almoço reforçado, comecei o meu passeio pela cidade. Tinha dois sítios em mente, o museu da cidade e o museu de crimes de guerra. Dei uma volta perto do rio e das famosas pontes de Sarajevo, Câmara Municipal e fui directo ao museu da cidade. Estive praticamente a manhã inteira no museu. Não vou entrar em pormenores, mas vale muito a pena. Fui logo, directamente, para o museu de crime de guerra. E aqui... cai-nos praticamente tudo. tão distante, mas tão presente, com a possibilidade de ver 3 documentários, um centrado no cerco à cidade de Sarajevo, outro em Mostar e um 3º sobre o massacre de Srebrenica onde cerca de 8.000 muçulmanos foram assassinados. Bate forte e espero que todos os visitantes se sintam incomodados porque é algo que não se deve sequecer. 
Saí um pouco incomodado do museu, penso que comecei a ver a cidade com outros olhos, não apenas como um sítio turístico, mas com um sincero respeito. Pena não, porque penso que a cidade consegui erguer-se, mais forte do que nunca, mais multicultural do que nunca. Pela cidade vêem-se alguns edificios com marcas de tiros e estão lá porque o povo de Sarajevo o quer. Porque são feridas, são marcas para que não se esqueça. Mais umas voltas, aventurei-me um pouco mais para oeste, onde se verifica uma forte influência do império Austro-Hungaro, em termos de arquitéctura, e onde se parece mais com um cidade ocidental. À noite voltei para a zona do movimento e para experimentar outro prato tradicional, pljesjavica. Que não é mais que humburger com pão tradicional e... cebola. Depois Guesthouse e caminha porque amanhã parto para uma nova etapa, Mostar.





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