segunda-feira, junho 05, 2017

Domingo, 04 de Junho de 2017

     Bem, por onde devo começar... Voltei mais algumas vezes ao tal Bar, uma vez até fui com um amigo (um erro tremendo porque é daquelas pessoas que está tão focado em si que sempre que tentamos falar algo sobre nós é como falar com uma parede) e... pronto, cheguei à conclusão que a rapariga é realmente atenciosa com os seus clientes e uma excelente profissional. Nada mais. 
     Na 3ª feira passada fui ver um concerto a Zurique, Moon Hooch. Que maravilha, adorei o concerto, uma lufada de ar fresco. Dois saxofones e uma bateria. um sintetizador e alguns efeitos lá pelo meio. Jazz, dance,, dub, hip-hop, e a malta a dançar. Penso que me iria dar bem lá para os lados de Zurique. Mas há sempre aquela sensação de que não temos ninguém com quem partilhar (fui ver o concerto sozinho). Tive a mesma sensação de quando fui a Piran (Eslovénia) passar uns dias, também sozinho. É meu, fica cá dentro e... é apenas isso. E mesmo que tente partilhar parece que bato em paredes, Sinto falta da "minha" malta.
      No geral sinto-me desenquadrado, já me sinto assim há algum tempo... penso estar com uma depressão... não apenas agora mas já há algum tempo. Tento preencher vazios... nada do que faço me dá prazer. Faço algo a pensar que no fim vou ter um sentimento de Yahhhh!!! consegui. Mas não, chego ao fim de algo e... pronto, está feito e agora? 

   
2ª feira, 22 de Maio de 2017

       Sábado decidi ir beber um copo. Fui a um Bar chamado “Buscadero” onde já não ia há algum tempo... cerca de um ano. É porreiro para beber um copo sossegado e, para a malta que fuma, pode-se fumar. Ainda não conhecia a miúda do Bar, como disse há cerca de um ano que não ia a este bar. Peço um fino e estou na minha, como sempre e como gosto de estar. Acabado o 1º fino peço outro. E a rapariga, atenciosa diga-se, ao trazer-me o fino diz que a Polícia passou estrada abaixo e poderá estar a fazer uma operação Stop. Surpreendido agradeço a informação e a rapariga afasta-se. Esta situação faz-me pensar um pouco. A informação que ela me deu não será “boa” para o negócio, como é óbvio aquele seria o meu último fino nessa noite. Sem fazer filme, concluí apenas que será uma rapariga realmente atenciosa com os seus clientes. Poucos minutos depois volta e começa a “meter” conversa através de perguntas. Eu vou respondendo até se acabarem as perguntas. É aí que surge o silêncio, aquele silêncio incómodo. Geralmente não tenho este tipo de interacções em Bares, ainda para mais com a “miúda” do bar, uma vez que costumam ser bastante atraentes e têm mais do que fazer... e sinceramente, na maior parte das vezes, estou-me a “cagar” para a cena. No entanto, por qualquer motivo, naquele dia estabeleceu-se um breve e incómodo silêncio. Foi então que percebi porquê, ela manteve-se ali, olhando para baixo, olhando para mim... e eu “foda-se” tenho de fazer perguntas, tenho de mostrar algo interesse... raios, tenho de ser sociável. E lá coloquei algumas perguntas, daquelas que nós sabemos, introdutórias, uma linha objectiva de questionamento sem me comprometer em demasia. E, durante alguns minutos, estabelecemos uma conversa, o que me levou até a pedir uma cola. No entanto, ela teve de se afastar para atender outros clientes e como o assunto/tema sobre o qual estávamos a conversar teve a sua conclusão, pensei que seria a altura apropriada para sacar da carteira e “mostrar” que queria pagar. Quando ela voltou percebeu logo que eu queria pagar e fez o seu papel perguntando-me se que queria pagar. Eu disse que sim. Pareceu-me ver, por breves momentos, um olhar de desapontamento. Mas isto sou eu agora a pensar... e se calhar vi o que queria ver. Paguei com a devida gorjeta e despeço-me. Ela volta a surpreender-me perguntando-me o meu nome. Eu respondo e, parecendo-me o mais adequado, pergunto-lhe o nome. Ela responde e eu estendo-lhe a mão para a cumprimentar “Prazer”. Ela responde que também foi um prazer para ela e diz-me que espera que eu volte a aparecer por lá. Eu respondo com “é uma possibilidade” e esboço um sorriso.
       Ora hoje, como o Bar onde costumo comprar tabaco está fechado, volto ao Buscadero. O meu objectivo é simples, comprar tabaco, beber um café e bazar. Ela cumprimenta-me surpreendida e atira-me um sorriso genuíno. Faço o meu pedido. Ela tem mais trabalho hoje, o bar tem mais clientes. No tempo em que desfrutei o meu cigarro e o meu café ela esteve a conversar com outros clientes. Saco da minha carteira para pagar e aguardo que ela volte. Quando ela volta noto o que penso ser a vontade de iniciar mais uma conversa. No entanto, antes que ela dissesse algo peço para pagar. E, mais uma vez, noto o que penso ser um olhar de desapontamento. Digo um “até à próxima” ela sorri e responde-me também com um “até à próxima” dirigindo-se a outros clientes que também queriam pagar.
       Não vou aligeirar a situação porque se estou a escrever sobre a mesma é porque teve impacto em mim. E para perceber se a Marrik (é este o seu nome) é apenas uma rapariga que sabe fazer o seu trabalho ao conseguir cativar os seus clientes a voltarem, numa clara perspectiva de negócio, ou se de facto há, ou houve, ali qualquer coisa, terei de lá voltar. Desta vez não vou deixar passar em branco. Vou, no entanto, aguardar alguns dias.

Acreditem, é um passo evolutivo.


Banda-sonora de hoje:
Rahim AlHaj e Junip, KEXP