2ª feira,
22 de Maio de 2017
Sábado
decidi ir beber um copo. Fui a um Bar chamado “Buscadero” onde já
não ia há algum tempo... cerca de um ano. É porreiro para beber um
copo sossegado e, para a malta que fuma, pode-se fumar. Ainda não
conhecia a miúda do Bar, como disse há cerca de um ano que não ia
a este bar. Peço um fino e estou na minha, como sempre e como gosto
de estar. Acabado o 1º fino peço outro. E a rapariga, atenciosa
diga-se, ao trazer-me o fino diz que a Polícia passou estrada abaixo
e poderá estar a fazer uma operação Stop. Surpreendido agradeço a
informação e a rapariga afasta-se. Esta situação faz-me pensar um
pouco. A informação que ela me deu não será “boa” para o
negócio, como é óbvio aquele seria o meu último fino nessa noite.
Sem fazer filme, concluí apenas que será uma rapariga realmente
atenciosa com os seus clientes. Poucos minutos depois volta e começa
a “meter” conversa através de perguntas. Eu vou respondendo até
se acabarem as perguntas. É aí que surge o silêncio, aquele
silêncio incómodo. Geralmente não tenho este tipo de interacções
em Bares, ainda para mais com a “miúda” do bar, uma vez que
costumam ser bastante atraentes e têm mais do que fazer... e
sinceramente, na maior parte das vezes, estou-me a “cagar” para a
cena. No entanto, por qualquer motivo, naquele dia estabeleceu-se um
breve e incómodo silêncio. Foi então que percebi porquê, ela
manteve-se ali, olhando para baixo, olhando para mim... e eu
“foda-se” tenho de fazer perguntas, tenho de mostrar algo
interesse... raios, tenho de ser sociável. E lá coloquei algumas
perguntas, daquelas que nós sabemos, introdutórias, uma linha
objectiva de questionamento sem me comprometer em demasia. E, durante
alguns minutos, estabelecemos uma conversa, o que me levou até a
pedir uma cola. No entanto, ela teve de se afastar para atender
outros clientes e como o assunto/tema sobre o qual estávamos a
conversar teve a sua conclusão, pensei que seria a altura apropriada
para sacar da carteira e “mostrar” que queria pagar. Quando ela
voltou percebeu logo que eu queria pagar e fez o seu papel
perguntando-me se que queria pagar. Eu disse que sim. Pareceu-me ver,
por breves momentos, um olhar de desapontamento. Mas isto sou eu
agora a pensar... e se calhar vi o que queria ver. Paguei com a
devida gorjeta e despeço-me. Ela volta a surpreender-me
perguntando-me o meu nome. Eu respondo e, parecendo-me o mais
adequado, pergunto-lhe o nome. Ela responde e eu estendo-lhe a mão
para a cumprimentar “Prazer”. Ela responde que também foi um
prazer para ela e diz-me que espera que eu volte a aparecer por lá.
Eu respondo com “é uma possibilidade” e esboço um sorriso.
Ora hoje,
como o Bar onde costumo comprar tabaco está fechado, volto ao Buscadero. O meu objectivo é simples, comprar tabaco, beber um café e
bazar. Ela cumprimenta-me surpreendida e atira-me um sorriso genuíno.
Faço o meu pedido. Ela tem mais trabalho hoje, o bar tem mais
clientes. No tempo em que desfrutei o meu cigarro e o meu café ela
esteve a conversar com outros clientes. Saco da minha carteira para
pagar e aguardo que ela volte. Quando ela volta noto o que penso ser
a vontade de iniciar mais uma conversa. No entanto, antes que ela
dissesse algo peço para pagar. E, mais uma vez, noto o que penso ser
um olhar de desapontamento. Digo um “até à próxima” ela sorri
e responde-me também com um “até à próxima” dirigindo-se a
outros clientes que também queriam pagar.
Não vou
aligeirar a situação porque se estou a escrever sobre a mesma é
porque teve impacto em mim. E para perceber se a Marrik (é este o
seu nome) é apenas uma rapariga que sabe fazer o seu trabalho ao
conseguir cativar os seus clientes a voltarem, numa clara perspectiva
de negócio, ou se de facto há, ou houve, ali qualquer coisa, terei
de lá voltar. Desta vez não vou deixar passar em branco. Vou, no
entanto, aguardar alguns dias.
Acreditem,
é um passo evolutivo.
Banda-sonora
de hoje:
Rahim AlHaj
e Junip, KEXP
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