terça-feira, janeiro 07, 2020

silêncio... é desconfortável? Poderá o silêncio ser emocional? Poderá o silêncio fazer-se acompanhar de um cigarro... de um copo de vinho? Vamos ser loucos... poderá o silêncio fazer-se acompanhar de uma gafarra de vinho? Poderá o silêncio fazer-se acompanhar por uma música? Poderá o silêncio fazer-se acompanhar por um livro?

Poderá o silêncio trazer reminiscências de um silêncio passado para um silêncio presente, projectando-se num silêncio futuro?

Foi no silêncio que reflecti na distância, nos vazios, nos silêncios, nas ausências, e cheguei à conclusão de que sou apenas alguém. Não sou a pessoa especial na vida de alguém, não sou a pessoa mais importante na vida de alguém. Sou apenas alguém que outros conhecem ou conheceram num dado momento em que as nossas vidas se cruzaram.

A frase correcta é que cheguei à conclusão de que sou apenas mais alguém. Consegui, finalmente, perceber que o mundo não gira à minha volta, não sou especial (bastante normal... banal até). Sou apenas mais alguém que partilha o mundo com outros. Mesmo que seja uma partilha silênciosa. Perante esta percepção, o sentimento foi de leveza. Esta leveza que me persegue há anos, desde a minha adolescência. A decisão de ler "A Insustentável Leveza do Ser" revelou-se decisiva no meu percurso de vida. Um livro tão intenso e marcante para mim, que Theresa, Sabine e Thomas deixaram de ser apenas personagens num romance para se impregnarem no meu Ser, sendo eu eles, e eles eu.

É também no silêncio que me apercebo de que o significado de Leveza de que Kundera fala, insustentável para o próprio, atinge a sua plenitude quando resvala para o silêncio.

A leveza do silêncio... que nos permite desaparecer sem remorsos.

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