quarta-feira, setembro 27, 2017

Vários temas em debate na comunidade Internauta. A greve dos enfermeiros, a subida da extrema direita na Alemanha e mais, muito mais. Logo se vê se há tempo para isso tudo.
Pelo que percebi os Enfermeiros, em Portugal, estão a preparar nova greve reivindicando um aumento de 400€ mensais no ordenado e redução do horário semanal de trabalho para 35 horas. A ser verdade, e por muita consideração que se possa ter por esta valorosa classe trabalhadora, a opinião pública vai esmagá-los. Não estou a concordar nem a discordar com a situação, mas pedir um aumento de 400€ num País onde o salário mínimo nem aos 600€ chega... deixa-me a pensar. Ou é uma notícia falsa, para virar a opinião pública contra os Enfermeiros, ou de facto estão um pouco desfasados da realidade. Isto sem falar na “tal” questão de Especialidade. Sim, porque em Enfermagem a progressão na carreira (ou seja aumento no ordenado), para além do tempo de trabalho, faz-se também através de especialização, o chamado Enfermeiro Especialista. É perfeitamente legitimo ter aspirações, é perfeitamente legítimo tirar um curso de especialização, gastar dinheiro nesse curso... agora o facto de tirar a especialização dá-lhes acesso automático ao cargo, o que acarretaria um aumento do ordenado? Pois, penso que não. Nesta situação terá de ser avaliada o nº de vagas disponíveis por Hospital para cada Especialidade e geralmente são abertos concursos, penso eu. Provavelmente nem será assim, mas sendo eu um leigo, que faz parte da opinião pública, lendo o que vem na comunicação social, é que me parece. Agora se há Enfermeiros que tiraram uma Especialidade, estão a exercer como Enfermeiro Especialista e continuam a ganhar o mesmo ordenado de um Enfermeiro sem Especialidade, bem aí, de facto tenho de lhes dar razão. Mas não penso que seja apenas isso. Qual será o número real de Enfermeiros nessa situação? Penso ser relevante termos acesso a esse número. Se estiver errado e malta com mais conhecimento da situação me quiser corrigir, estão à vontade.
Bem, fugi bastante da questão inicial, se me perguntarem: os Enfermeiros merecem um aumento salarial? Eu digo: sim, merecem. De 400€? ãhh!!!??? porquê? Justifiquem-me esse valor. Horário semanal de 35h? Mais uma vez justifiquem-me esse valor. E podem dizer que não têm de justificar esse valor, que é uma questão interna, da Profissão, da Ordem... etc, etc. Mas então aí não deveriam trazer essas reivindicações para a praça pública. Porque o uso de Meios de Comunicação Social Públicos (e não só, mas para esta questão apenas interessam os Serviços Públicos) para dar a conhecer a situação pressupõe um desejo de dar a conhecer à restante Sociedade Civil as reivindicações e criar um sentimento de solidariedade. Então, de cidadão para cidadão, justifiquem-me o valor de 400€ e as 35 horas semanais de trabalho.
Mas para se perceber ainda melhor esta situação penso que devemos ir ao início, quando se decide seguir enfermagem... o que pensará a malta? Horário das 9h às 17h? Um trabalho de pica ponto, chega a hora de sair e xau? Fim de semanas em casa? É o desejo de contribuir para a sociedade com um emprego onde o “cuidar” é o foco principal? É por vocação, estabilidade financeira ou familiar, riqueza? Ou simplesmente porque sim? Podem parecer perguntas parvas, mas tendo em conta os textos e artigos que li sobre o assunto, são de extrema importância. Neste momento, dentro deste contexto, a questão sobre a qual tenho mais curiosidade é: Quais as expectativas de um futuro enfermeiro sobre a realidade laboral em Enfermagem. Até daria um bom título para uma Tese de Mestrado... ou até Doutoramento. Nop, para efeitos de Tese seria melhor: “Expectativas dos Estudantes de Enfermagem sobre a realidade laboral” (penso que se colocar “em Enfermagem” se torne uma redundância). Ou, se calhar é tudo apenas uma consequência de um fenómeno, ou fenómenos, que começou com “Dr House” e continua com “Anatomia de Grey”. Sinceramente não sei.
Ou seja, no fundo, para salientar que também será relevante saber qual o contacto que os futuros enfermeiros tiveram com a profissão antes de tomarem a decisão de seguir Enfermagem. Daí a piadinha das séries televisivas (peço desculpa se ofendi alguém).

E para finalizar, argumentos do tipo “deixo os meus em casa para cuidar dos outros” são uma tentativa parva (e aqui tenho de ser mesmo directo) de criar empatia. 1º se deixam os seus em casa é porque afinal ganham o suficiente para que o resto do agregado familiar fique em casa, porque a maioria deixa as crianças na creche ou escola e os cônjuges também trabalham; 2º praticamente toda a classe trabalhadora, e usando esse mesmo argumento, “deixa os seus em casa”; 3º “cuidar dos outros” É o trabalho dos enfermeiros.

Bem, a Alemanha terá de ficar para outro dia

Sem comentários: