Vários temas em debate
na comunidade Internauta. A greve dos enfermeiros, a subida da
extrema direita na Alemanha e mais, muito mais. Logo se vê se há
tempo para isso tudo.
Pelo que percebi os
Enfermeiros, em Portugal, estão a preparar nova greve reivindicando
um aumento de 400€ mensais no ordenado e redução do horário
semanal de trabalho para 35 horas. A ser verdade, e por muita
consideração que se possa ter por esta valorosa classe
trabalhadora, a opinião pública vai esmagá-los. Não estou a
concordar nem a discordar com a situação, mas pedir um aumento de
400€ num País onde o salário mínimo nem aos 600€ chega...
deixa-me a pensar. Ou é uma notícia falsa, para virar a opinião
pública contra os Enfermeiros, ou de facto estão um pouco
desfasados da realidade. Isto sem falar na “tal” questão de
Especialidade. Sim, porque em Enfermagem a progressão na carreira
(ou seja aumento no ordenado), para além do tempo de trabalho,
faz-se também através de especialização, o chamado Enfermeiro
Especialista. É perfeitamente legitimo ter aspirações, é
perfeitamente legítimo tirar um curso de especialização, gastar
dinheiro nesse curso... agora o facto de tirar a especialização
dá-lhes acesso automático ao cargo, o que acarretaria um aumento do
ordenado? Pois, penso que não. Nesta situação terá de ser
avaliada o nº de vagas disponíveis por Hospital para cada
Especialidade e geralmente são abertos concursos, penso eu.
Provavelmente nem será assim, mas sendo eu um leigo, que faz parte
da opinião pública, lendo o que vem na comunicação social, é que
me parece. Agora se há Enfermeiros que tiraram uma Especialidade,
estão a exercer como Enfermeiro Especialista e continuam a ganhar o
mesmo ordenado de um Enfermeiro sem Especialidade, bem aí, de facto
tenho de lhes dar razão. Mas não penso que seja apenas isso. Qual
será o número real de Enfermeiros nessa situação? Penso ser
relevante termos acesso a esse número. Se estiver errado e malta com
mais conhecimento da situação me quiser corrigir, estão à
vontade.
Bem, fugi bastante da
questão inicial, se me perguntarem: os Enfermeiros merecem um
aumento salarial? Eu digo: sim, merecem. De 400€? ãhh!!!???
porquê? Justifiquem-me esse valor. Horário semanal de 35h? Mais uma
vez justifiquem-me esse valor. E podem dizer que não têm de
justificar esse valor, que é uma questão interna, da Profissão, da
Ordem... etc, etc. Mas então aí não deveriam trazer essas
reivindicações para a praça pública. Porque o uso de Meios de
Comunicação Social Públicos (e não só, mas para esta questão
apenas interessam os Serviços Públicos) para dar a conhecer a
situação pressupõe um desejo de dar a conhecer à restante
Sociedade Civil as reivindicações e criar um sentimento de
solidariedade. Então, de cidadão para cidadão, justifiquem-me o
valor de 400€ e as 35 horas semanais de trabalho.
Mas para se perceber
ainda melhor esta situação penso que devemos ir ao início, quando
se decide seguir enfermagem... o que pensará a malta? Horário das
9h às 17h? Um trabalho de pica ponto, chega a hora de sair e xau?
Fim de semanas em casa? É o desejo de contribuir para a sociedade
com um emprego onde o “cuidar” é o foco principal? É por
vocação, estabilidade financeira ou familiar, riqueza? Ou
simplesmente porque sim? Podem parecer perguntas parvas, mas tendo em
conta os textos e artigos que li sobre o assunto, são de extrema
importância. Neste momento, dentro deste contexto, a questão sobre
a qual tenho mais curiosidade é: Quais as expectativas de um futuro
enfermeiro sobre a realidade laboral em Enfermagem. Até daria um bom
título para uma Tese de Mestrado... ou até Doutoramento. Nop, para
efeitos de Tese seria melhor: “Expectativas dos Estudantes de
Enfermagem sobre a realidade laboral” (penso que se colocar “em
Enfermagem” se torne uma redundância). Ou, se calhar é tudo apenas
uma consequência de um fenómeno, ou fenómenos, que começou com
“Dr House” e continua com “Anatomia de Grey”. Sinceramente
não sei.
Ou seja, no fundo, para
salientar que também será relevante saber qual o contacto que os
futuros enfermeiros tiveram com a profissão antes de tomarem a
decisão de seguir Enfermagem. Daí a piadinha das séries
televisivas (peço desculpa se ofendi alguém).
E para finalizar,
argumentos do tipo “deixo os meus em casa para cuidar dos outros”
são uma tentativa parva (e aqui tenho de ser mesmo directo) de criar
empatia. 1º se deixam os seus em casa é porque afinal ganham o
suficiente para que o resto do agregado familiar fique em casa,
porque a maioria deixa as crianças na creche ou escola e os cônjuges
também trabalham; 2º praticamente toda a classe trabalhadora, e
usando esse mesmo argumento, “deixa os seus em casa”; 3º “cuidar
dos outros” É o trabalho dos enfermeiros.
Bem, a Alemanha terá de ficar para outro dia
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