segunda-feira, novembro 16, 2009

habituem-se

hoje foi um dia estranho... alguém morreu e o mundo não parou.
é aceitável, todos os dias morrem pessoas e o mundo não pára.
No entanto, para aqueles que são próximos se não pára pelo menos abranda.
Eu troquei algumas palavras com a pessoa em questão, colega de trabalho.
e... era isso mesmo, uma colega de trabalho. Durante o dia de hoje tenho tentado
perceber se estou a sentir alguma coisa, se estou que sentimento é esse?
e porquê perguntam-me vocês. A morte não foi de causa natural, foi (usando
uma palavra muito feia) assassinada pelo ex-namorado. Agora, é um facto que
lamento a perda de uma vida. mas enquanto ouvia outras pessoas comentarem
a situação: "deviam pôr a foto do gajo no jornal"; "é por isso que defendo a pena de morte";
"prisão perpétua", etc, etc, eu perguntava-me se posso de facto condenar tal acto e, porque
não, tentar compreender. Podemos assumir que o rapaz não digeriu bem o fim da relação e
num acto de ciúmes tresloucado (está bem escrito?) matou a ex-namorada. Mas podemos
colocar outro cenário. Poderá ter sido o rapaz a acabar a relação e a falecida não aceitou bem
a sua decisão? Poderá ter a falecida infernizado a vida do rapaz de tal maneira que ele não aguentava mais... vamos imaginar que a falecida mandou a actual namorada do rapaz para o hospital... entre tantas outras situações que poderemos imaginar. são tudo suposições. mas são
válidas e legitimas. Se calhar aí diríamos: "foi bem feita"; "o coitado aguentou muito... foi até onde conseguiu"... etc, etc. E vocês, com toda a legitimidade, colocam a questão: "seja qual for a situação justifica-se a perda de uma vida? Como já disse lamento a perda de uma vida, desta em
particular. No entanto, a nossa história diz-nos que podemos lamentar a perda de vidas humanas mas também podemos afirmar que se justificavam. Geralmente apenas fazemos esta afirmação
em contextos de grande impacto social e humano. A minha questão é se o poderemos fazer
em situações de índole pessoal, onde poderá estar em causa a estabilidade psicológica, o bem-estar físico de um único indivíduo.

Mas o que mais me assusta é que hoje lá estávamos todos para trabalhar... como disse o mundo
não pára, a empresa não pára. A pessoa em questão estava no fundo da estrutura hierárquica da
empresa. Quanto ao que sinto... mmmm... penso que não será indiferença. Ou não estaria aqui, agora, a escrever o que me passa pela cabeça.

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